A
INFORMATIZAÇÃO DO VOTO NO BRASIL
Exposição
"10 anos do voto eletrônico"
O processo de informatização da Justiça
Eleitoral vem dando bons resultados. A agilidade
e a precisão dos computadores, somadas à
redefinição das normas legais, prova que
estamos no caminho certo para a realização de
eleições cada vez mais livres e confiáveis no
Brasil. A informatização foi, passo a passo,
tornando-se parte importante no processo
eleitoral brasileiro.
O
Cadastro Único Computadorizado de Eleitores
permitiu a consulta de informações sobre
qualquer eleitor dentro do território nacional.
Isso possibilitou à Justiça Eleitoral
identificar inscrições duplas, triplas ou múltiplas
de eleitores e eliminá-las gradualmente. A cada
ano, o Tribunal Superior Eleitoral - TSE -
promove o que chamamos de Batimento Nacional dos
Dados Eleitorais, à procura de prováveis
eleitores em situação irregular para que,
mantendo atualizado o cadastro único, tenhamos
sempre a certeza de uma votação com o número
correto de votos.
Em
seguida, veio a totalização de resultados por
meio do computador. A totalização é a soma
dos números finais de cada urna para saber o
eleito em cada município, estado ou no País.
Inicialmente os cálculos eram feitos à mão.
Posteriormente, passaram a contar com o auxílio
de máquinas de calcular. No entanto, esse tipo
de manuseio resultava, não poucas vezes, em
erros de soma (propositais ou não), que
distorciam o resultado de toda uma eleição.
Em
1996, com a criação da urna eletrônica,
chegamos à informatização total do processo
de votação e de apuração. Ou seja, com a
menor interferência humana possível. Na urna
eletrônica o eleitor digita diretamente o número
do candidato escolhido, no teclado próprio,
semelhante ao de um telefone comum. O voto é
armazenado em um disquete que fica no interior
de cada urna, cujos dados só podem ser
acessados através dos computadores do TRE.
Depois o disquete é levado à central de
totalização, de onde os dados são
transmitidos, obtendo-se, assim, o resultado
final da eleição. A apuração manual - e suas
conseqüências que, em muitos casos, podiam
colocar em risco a democracia – foi sendo
gradualmente extinta com a urna eletrônica. A
estratégia foi eliminar o risco das falhas
humanas e/ou das influências partidárias às
quais os escrutinadores poderiam estar sujeitos,
substituindo a apuração dos votos por cálculos
computadorizados.
A
primeira experiência do voto eletrônico em
Minas Gerais aconteceu no dia 12 de outubro de
1995, no município de Matipó (Zona da Mata
mineira, a 244 km de BH), durante a eleição do
novo prefeito, realizada fora do período
oficial. Naquela época, haviam falecido o
prefeito e o vice-prefeito oficialmente eleitos.
Dos 9.912 eleitores registrados naquele ano, 78%
eram analfabetos ou semi-analfabetos, fato que
exigiu dos servidores do TRE um redobrado
empenho na divulgação do novo sistema de votação.
O pleito não foi realizado no atual modelo de
urna eletrônica, mas em microcomputadores
convencionais, que receberam algumas adaptações
nos teclados – foram criadas teclas coloridas,
com cada cor correspondendo a um candidato. Vale
lembrar que um mês antes dessas eleições, a
equipe da Secretaria de Informática já
havia-se instalado em Matipó, para verificar a
infra-estrutura física e as redes elétrica e
telefônica.
Criada
pela própria Justiça Eleitoral brasileira, a
urna eletrônica espelha, em suas características,
a realidade do processo político-eleitoral
brasileiro. Devido ao grande número de
partidos, candidatos e de eleitores analfabetos
e semi-analfabetos em nosso país, optou-se por
um teclado com cores e números dispostos como
em um aparelho de telefone comum. Para facilitar
o voto dos deficientes visuais, há, em cada
tecla, a inscrição correspondente em alfabeto
Braille.
Às
17 horas, encerrada a votação da seção, a
urna eletrônica expede imediatamente um boletim
com os votos obtidos por cada candidato naquela
seção. Esse documento é distribuído aos
fiscais de partidos presentes e, caso haja dúvida
sobre a totalização dos dados no computador
central, é só conferir o boletim individual
das urnas.
Para
não haver riscos na introdução desse sistema
- e também para não onerar os cofres públicos
de uma só vez - o TSE implantou o voto eletrônico
em etapas. Em 10 anos, de 1996 a 2006, foram
investidos cerca de 770 milhões de reais na
informatização do voto no País.
Em 1996, somente no primeiro
turno, 32.478.153 eleitores brasileiros votaram
pelo computador. O voto eletrônico abrangeu
todas as capitais (à exceção de Brasília,
onde não há eleição municipal) e municípios
com mais de 200 mil eleitores (totalizando 57
cidades no Brasil, sendo quatro em Minas
Gerais).
Desde 1997 o Tribunal Regional
Eleitoral empresta urnas para eleições não
oficiais ( mais conhecidas como eleições
parametrizadas) desde que observada antecedência
mínima de 60 dias da realização do pleito da
entidade interessada e, em ano eleitoral, 120
dias da realização das eleições oficiais. As
solicitações são submetidas à aprovação da
Corte Eleitoral, instruídas com o parecer do
Juiz da Zona Eleitoral e o parecer técnico da
Secretaria de Informática.
Em
1998, todos os municípios com mais de 40.500
eleitores tiveram votação eletrônica,
representando cerca de 5,2 milhões de eleitores
em Minas Gerais (distribuídos em 45 municípios)
e 57 milhões de eleitores no País (537 municípios).
No
ano 2000 a Justiça Eleitoral comemorou os 100%
de informatização do voto, com o uso de urnas
eletrônicas em todo o País. De um total de
5.561 municípios, as eleições aconteceram em
5.559 cidades brasileiras – exceção de Brasília,
onde não há eleições municipais, e o município
de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, criado no
dia 30 de março de 2000 – pela lei, só
poderia haver eleição, naquele ano, nos municípios
criados até o dia 31 de dezembro de 1999. Isso
correspondeu a um total de 109.823.461 eleitores
no Brasil.
Duas
grandes novidades nas eleições de 2000 foram
os fones de ouvidos, ligados à urna eletrônica
para facilitar o voto dos deficientes visual,
sobretudo dos que não conheceu a linguagem
Braille, e a justificativa eleitoral para quem
está fora do município onde é eleitor. Ao
apresentar o Requerimento de Justificativa
Eleitoral em qualquer local de votação, o voto
passou a ser justificado, na própria urna eletrônica,
pelo mesário.
Para
que tudo desse certo na primeira experiência
com a urna eletrônica em todos os municípios
brasileiros, foi necessária (assim como foi
feito nas eleições anteriores) uma mobilização
sem igual, longe de paixões partidárias. A
novidade foi levada aos eleitores de todos os
municípios, distritos e pequenas localidades,
para que os eleitores ali residentes não
tivessem dificuldades em lidar com a urna no dia
da eleição. Muito foi feito para que jovens,
adultos e idosos se sentissem motivados a
conhecer a inovação do voto eletrônico e a
aprender a lidar com a urna eletrônica, a fim
de evitar o "medo da máquina" no dia
da eleição.
Em 1996, o TRE mineiro realizou, em convênio com
o SEBRAE-MG, a primeira Campanha de Divulgação
do Voto Eletrônico. Mais de 200 mil eleitores
receberam treinamento em escolas, postos dos
Correios e durante eventos festivos de grande
concentração popular. A campanha de divulgação
incluiu também a distribuição de camisetas,
bonés, cartazes e folhetos.O desafio da urna
eletrônica foi ainda maior nas eleições de
1998, quando o voto informatizado foi aplicado
em 45 municípios mineiros (cidades com mais de
40.500 eleitores) e numa votação que abrangeu
cinco cargos distintos – presidente da República,
governador, senador, deputado federal e deputado
estadual. Uma nova Campanha de Divulgação do
Voto Eletrônico foi realizada, em parceria
regional com o SEBRAE-MG e outras entidades de
âmbito municipal, num esforço que reuniu cerca
de 900 instrutores em todo o Estado. Ao final da
campanha, mais de 540 mil eleitores (10% de um
total de 5.556.315) foram treinados em todos
esses municípios.
Na
tentativa de reduzir o tempo gasto em frente à
urna eletrônica, a Justiça Eleitoral
incentivou os eleitores a levar, anotados em um
pedaço de papel, os números de seus
candidatos. A divulgação, em grande escala, de
esclarecimentos, feita através dos meios de
comunicação, bem como o material impresso
(fornecido pelo TSE), aliados aos esforços do
TRE-MG, dos Cartórios Eleitorais e de seus
parceiros, possibilitaram uma campanha de eficácia
relativa: embora alguns segmentos ainda tivessem
apresentado dificuldades durante o ato de votar
ou na interação com a urna eletrônica, a
maior parte do eleitorado não encontrou
problemas no voto informatizado.
Nas
eleições municipais de 2000, o voto
informatizado chegou aos 853 municípios
mineiros, num total de 12.259.469 eleitores. O
TRE-MG, juntamente com as 318 Zonas Eleitorais
do Estado, suplantou com sucesso esse grande
desafio, realizando, mais uma vez, uma ampla
campanha de divulgação do voto eletrônico.
Nos municípios onde houve eleição
informatizada pela primeira vez, cerca de 3 milhões
e 800 mil pessoas receberam treinamento na urna
eletrônica. Nessa empreitada, o TRE-MG contou
com o apoio da CEMIG, que, além participar
ativamente da divulgação do voto eletrônico,
forneceu material de divulgação, cabines de
votação e canetas para os mesários utilizarem
no dia da eleição, concentrando, ainda,
esforços para eletrificação, no Estado, de
300 locais de votação ainda sem energia elétrica.
Sem esquecer o inestimável apoio de outros órgãos
públicos e das parcerias locais, a Justiça
Eleitoral venceu, com a mesma garra, os obstáculos
e dificuldades para a realização das eleições
municipais de 2000 e confirmou a segurança,
eficiência e agilidade na votação na urna
eletrônica, com os resultados rapidamente
apurados e com o grande comparecimento e
facilidade dos eleitores na votação.
O
processo de votação eletrônica atingiu 100%
dos municípios brasileiros no pleito de 2000.
Em Minas, o eleitorado dos 853 municípios
votaram eletronicamente, finalizando a implantação
da informatização das eleições, processo que
se iniciara bem antes de 1996, no final da década
de 1970.
O
desafio do eleitorado nas eleições de 2002 foi
digitar, na urna, seis votos diferentes na
seguinte ordem: deputado federal, deputado
estadual, senador 1, senador 2, governador e
presidente da República. Para isso a Justiça
Eleitoral Mineira incrementou a divulgação do
voto informatizado nas escolas e em locais públicos,
não só para popularizar a urna eletrônica,
mas também para alertar a população de que
teria de escolher seis candidatos. O convênio
com a CEMIG possibilitou a divulgação dos
procedimentos da votação e também a edição
da cartilha "Vote certo, seu voto vale o
futuro", utilizada pelo TRE em larga
escala, como material didático, nas escolas
visitadas pela equipe do Tribunal para as
palestras sobre a importância do voto
consciente. Conheça
o Projeto “Justiça Eleitoral na Escola”.
Em
Minas Gerais foram utilizadas 45.594 urnas,
sendo 4.100 em Belo Horizonte, para um total de
39.310 seções em todo o Estado. O segundo
turno foi realizado apenas para a eleição do
Presidente da República. Nos outros 14 estados
houve também eleição para o cargo de
governador. O eleitorado apto em 2002 aumentou
para 12.680.584, resultando num acréscimo de
421.115 eleitores em relação ao ano 2000.
Ainda
em 2002, o voto impresso, aprovado pelo
Congresso Nacional para as eleições 2004, foi
testado, pelo TSE, em 71 municípios
brasileiros. O objetivo era comprovar a segurança
do voto informatizado e verificar o tempo gasto
pelo eleitor na votação. Para isso foram
utilizadas urnas com Módulo Impressor Externo
(M.I.E.) nas zonas eleitorais de Nova Lima –
incluindo Raposos e Rio Acima –, de Ouro Preto
e João Monlevade. Após o pleito de 2002, a
Justiça Eleitoral concluiu que o sistema de
voto impresso seria desnecessário para 2004 e
encerrou a exigência de comprovação
instrumental da confiabilidade do sistema eletrônico
de votação. Para dar uma satisfação aos
cidadãos, no entanto, foi criada a Votação
Paralela, iniciativa através da qual se mostra,
com a participação de representantes da
sociedade, com destaque para os partidos políticos,
a confiabilidade da votação informatizada.
Nessa atividade são utilizadas urnas eletrônicas
oficiais, já lacradas, sorteadas e
transportadas para os tribunais regionais
eleitorais na véspera da eleição.
Leia
mais sobre Votação Paralela.
Nas eleições de 2004, foram utilizadas 46.362
urnas eletrônicas em Minas Gerais, para a
escolha de prefeitos e vereadores. No total,
foram instaladas 41.446 seções em todo o
Estado, sendo 3.911 em Belo Horizonte. Pela
primeira vez desde a promulgação da Constituição
de 1988 (que instituiu o 2º turno para os municípios
com mais de 200 mil eleitores), o prefeito da
Capital mineira foi eleito ainda no 1º turno,
com mais de 50% dos votos válidos. O segundo
turno foi realizado apenas nos municípios de
Montes Claros, Uberlândia, Juiz de Fora e
Contagem.
Até as eleições de 2000, Minas contava com
9.093 vagas para vereador. Com a Resolução
21.803/TSE, de 8 de junho de 2004, o Estado
passou a contar com 7.853 vagas. Outro dado
interessante foi a evolução do eleitorado
mineiro, que passou de 12.680.584, em 2002, para
13.281.087 eleitores aptos, em 2004.
O primeiro município que teve os votos
totalizados foi Pratápolis, no Sul de Minas, às
17h40 do próprio dia 3 de outubro. As três últimas
cidades a totalizarem seus votos, já no dia
seguinte à eleição, foram Palmópolis (às
5h42), Mata Verde (5h43) e Divinópolis (6h45). Quanto a Belo Horizonte, a totalização
dos votos recebidos nas 14 zonas eleitorais
ocorreu aos 56 minutos do dia 4 de outubro.
Referendo
2005
No
dia 23
de outubro de 2005 os eleitores compareceram às
urnas para responder SIM ou NÃO à seguinte
pergunta: “O comércio de armas de fogo e munição
deve ser proibido no Brasil”?
Duas
Frentes Parlamentares se formaram para fazer a
propaganda e esclarecer o eleitor a respeito do
Referendo e das duas propostas. A Frente
Parlamentar “Pelo Direito da Legítima
Defesa” e a Frente “Por um Brasil sem
Armas”.
Em
um universo de 13.320.622 eleitores aptos a
votar, compareceram 10.427.514. Desses,
6.155.748 (61,28%) votaram NÃO e 3.889.398
(38,72%) votaram SIM. Foram computados 174.127
votos em branco (1,75%), 208.241 votos nulos
(2,53%) e 2.893.108 abstenções.
O
primeiro município brasileiro a transmitir os
dados do Referendo foi Patos de Minas (210ª
Zona Eleitoral) às 17h06. Os primeiros municípios
de Minas a totalizarem os votos foram Conquista,
Guaranésia e Passa Quatro. Em Belo Horizonte a
26ª Zona Eleitoral foi a primeira a totalizar
os votos, às 19h09. O município de Bonito de
Minas, pertencente à 148ª Zona Eleitoral de
Januária, foi o último a totalizar os votos às
4h45 do dia 24 de outubro.
Eleições
2006
Nas
eleições gerais de 2006, Minas Gerais contou
13.679.738 eleitores aptos a votar, sendo
1.742.843 na Capital. Foram usadas 46.788 urnas
eletrônicas nas 42.557 seções, distribuídas
por 346 zonas eleitorais em todo o Estado. Desta
vez o eleitor votou em apenas um senador, além
dos cargos de deputado federal, estadual,
governador e presidente da República.
Os
eleitores elegeram 77 vagas deputados estaduais
e 53 deputados federais. Em apenas 10 Estados
houve segundo turno para governador . Em Minas
Gerais houve votação apenas para presidente de
República.
Itapagipe,
no Triângulo Mineiro (297ª Zona Eleitoral),
foi o primeiro município do Estado a totalizar
os dados do primeiro turno, às 17h30. No
segundo turno, os primeiros municípios a
totalizarem os votos do eleitorado foram Guarani
(124ª ZE), Itamogi (301ª ZE), Itapagipe (297ªZE),
Mercês (289ª ZE), Rio Pomba (239ª ZE) e
Silvianópolis (265ª ZE).
EVOLUÇÃO DAS URNAS ELETRÔNICAS
|
ELEIÇÕES
|
1996
|
1998
|
2000
|
2002
|
2004
|
2006
|
|
Municípios informatizados Brasil
|
57
mais de 200.000 eleitores
|
537
mais de 40.500 eleitores
|
5.559
todos os municípios
|
5.656
Brasil e Exterior
|
5.562
todos os municípios
|
5.568
todos os municípios
|
|
Municípios informatizados MG
|
4
mais de 200.000 eleitores
|
45
mais de 40.500 eleitores
|
853
todos os municípios
|
853
todos os municípios
|
853
todos os municípios
|
853
todos os municípios
|
|
Fabricação de urnas eletrônicas Brasil
|
Modelo 1996
77.469
|
Modelo 1998
89.731
|
Modelo 2000
186.800
|
Modelo 2002
51.000
|
Modelo 2004
75.222
|
Modelo 2006
25.000
|
|
Total de urnas
Brasil
|
77.469
|
167.200
|
354.000
|
406.000
|
406.000
|
381.000
(doação das UEs 1996 ao Paraguai)
|
|
Total de urnas eletrônicas MG
|
5.906
|
15.839
|
40.854
|
44.702
|
46.788
|
46.788
|
|
Eleitorado com votação eletrônica
(Brasil)
|
32,00%
|
57,60%
|
100%
|
100%
|
100%
|
100%
|
|
Eleitorado com votação eletrônica
(MG)
|
20,59%
|
47.02%
|
100%
|
100%
|
100%
|
100%
|
|
Custo unitário Brasil
|
US$ 945,00
|
US$ 700,00
|
US$550,00
|
US$350.00
US$440.00 – com M.I.E.
|
R$1.425,96
|
R$1.825,89
|
COORDENADORIA
DE COMUNICAÇÃO SOCIAL